quinta-feira, 14 de julho de 2011

Sexualidade após lesão medular

Muita gente tem curiosidade mas poucos são os que tem coragem de perguntar. Por isso, resolvi escrever um post sobre o tema. Para matar a curiosidade das pessoas e para que se discuta o assunto sem preconceitos.
Cadeirantes fazem sexo? Sentem prazer? Têm orgasmos? A resposta é: CLARO QUE SIM!!!
É preciso ter em mente que, após a lesão, as pessoas precisam de um tempo para compreender o que aconteceu com seu corpo, que tipo de sensações ficaram preservadas e onde o toque é prazeroso. É importantíssimo esse auto conhecimento. Assim, é possível orientar melhor o parceiro para que ele não fique apreensivo ou receoso. Mas o melhor mesmo é descobrirem juntos as possibilidades de prazer e zonas erógenas que ainda não haviam sido descobertas.
Para as mulheres cadeirantes, sem dúvida, as coisas são mais fáceis. Culturalmente, as mulheres já tendem para um sexo onde a cabeça está em sintonia com o corpo. A sexualidade feminina também se alimenta de imaginação e fantasias. Já o homem é mais físico, ereção e ejaculação. Daí a dificuldade maior para eles.
É claro que cada pessoa reage diferente, dependendo do tipo e local da lesão. Em alguns casos, onde a lesão é mais baixa, alguma sensibilidade pode ficar preservada, como é o meu caso (até nisso eu sou privilegiada).
Cientificamente falando, a excitação ( lubrificação vaginal nas mulheres e ereção nos homens) de um lesado medular pode acontecer de duas formas: a psicogênica, que é provocada por estímulos indiretos como lembranças, imagens e cheiros. E a reflexa, que acontece através de estímulos diretos na região genital.
De resto, tudo acontece normalmente. É claro que é muito diferente do sexo que se fazia antes da lesão. A libido diminui consideravelmente, as posições são restritas e existe uma série de cuidados a serem tomados antes, durante e depois. Mas, ainda assim, é extremamente prazeroso para ambos.

Dentre os cuidados importantes, estão:

  • Esvaziar a bexiga antes da relação sexual para não haver perda de urina.
  • O funcionamento intestinal deve ser regular e também deve estar em dias para evitar perdas.
  • Se necessário, lubrificar a vagina com gel apropriado. De preferência, hidrossolúvel para evitar reações alérgicas.
  • Ter cuidado com a pele durante o ato, procurando sempre posições seguras e confortáveis.
  • Usar preservativo sempre. Mesmo que se tenha parceiro fixo.
  • Manter um acompanhamento ginecológico regular.
Sexo faz bem pra todo mundo, lesado ou não. E, se é possível, porquê não fazê-lo? Basta se despir dos medos e preconceitos e encontrar parceiros cuidadosos e dispostos.

4 comentários:

Bri disse...

"Claro que sim" fazem sexo ou "claro que sim" tem orgasmos ou os dois juntos?Pergunto pq pra minha cabeça tapada não ficou muito claro.
Me lembrei com este seu post de um filme que vi a milhões de anos atrás sobre uma esquiadora que ficou tetraplegica com uma queda, mas após o acidente conquistou um namorado e no filme mostrava uma cena onde supostamente eles transavam.Foi-me uma cena bem marcante mentalmente pq na minha ignorancia sexo para esta categoria era algo do passado, mas bom saber que eu estava errada, bom saber que nós, os não lesionados, apesar de sermos tão óbvios, há outras tantas possibilidades que somem no prazer (vc tem que nos ensinar esses metodos viu?rs),mas no fim eu fico pensando que vc tbm ganha reconhecendo um(a) parceirão(ona). Mas tenho outra duvida ja que vc abriu este espaço. Eu fico imaginando que se faça somente um sexo gentil. Daria tbm pra fazer sexo selvagem no sentido literal da palavra? me perdoe a indiscrição.
Bjus

Deidy disse...

Bri,
"Claro que sim" fazem sexo. E "claro que sim" podem ter orgasmos. É claro que temos que levar em consideração o seguinte: até mulheres "normais" têm dificuldade para o orgasmo, imagine uma com lesão. Mas é possível sim!
Uma curiosidade: descobri que as pessoas tetraplégicas têm mais facilidade para o orgasmo que as paraplégicas. Isto porquê o nível da lesão é mais distante da parte da medula responsável pelas sensações sexuais. Incrível, né? Eu achei que fosse o contrário.
Quanto ao sexo selvagem, só posso falar por mim. Como a maioria dos meus movimentos ficaram preservados, não existe restrição. Comigo, sexo gentil só rola de vez em quando. O bom mesmo é aquele do tipo "me abre, me fecha, me chama de gaveta!" huahuahua Mas também fiquei curiosa. vou conversar com meus amigos e amigas que têm lesão completa para saber esse detalhe. Prometo que divido contigo.
Bjão.

Elaine Lobato disse...

Deidy tem o link da receita lá na postagem . Foi do site receita.com , e é realmente muito gostoso!
bjs

Viver um dia de cada vez disse...

Oi Deidy querida, adoro suas visitas e suas palavras. È muito bom saber que tem alguem que sabe o que realmente sentimos.
Realmente de vez enquando bate uma tristeza que dói muito acho que ate mais que as dores físicas.
A tres anos vendi minha casa e acabei comprando um apertamento achando que com isso seria melhor, mero engano, hj sinto falta de espaço ate mesmo para montar a cadeira e usá-la dentro de casa.
Percebo que não tive orientação nenhuma e muitas vezes ainda não tenho.
Minha cadeira hoje esta na sala e desde que vc postou aquele comentario (sábado)de vez enquando sento nela e fico lá quietinha...
Obrigada amiga que mesmo virtual esta sempre presente nos meus perrengues.

Beijinhos e fique com Deus

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